Em pronunciamento na Alep, parlamentar criticou utilização do chamado sistema free flow com “tarifa cheia”

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O deputado estadual Gilson de Souza (PL) manifestou na tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) seu posicionamento contrário ao modelo de cobrança que vem sendo adotado no sistema eletrônico de pedágio em rodovias do Estado. Conhecido como free flow, o mecanismo deveria garantir a cobrança proporcional ao trecho efetivamente percorrido pelo motorista, mas, o que está sendo implantado pelas concessionárias é a cobrança de “tarifa cheia”, mesmo em deslocamentos curtos.

Durante pronunciamento em plenário, o deputado Gilson classificou a medida como um absurdo e afirmou apoio às iniciativas que buscam barrar o atual formato de cobrança. “Gostaria de me somar a todos que se posicionaram contra esse absurdo que é a cobrança de pedágio através desses pórticos. Na verdade, isso não é free flow, porque esse sistema deveria, de fato, contempla aqueles que serão cobrados pela quilometragem na estrada, e nesse caso será cobrada uma tarifa cheia”, declarou.

O parlamentar também criticou a forma de cobrança aplicada aos motoristas que não possuem TAG. De acordo com o deputado, nesses casos, a identificação é feita pela placa do veículo, o que pode gerar insegurança e prejuízo aos usuários, sobretudo quando não há informação clara sobre a cobrança. “Muitas vezes ele nem será avisado a respeito disso. Terá que pagar multa, perder pontos na carteira e até correr o risco de ter a CNH cassada. Nós manifestamos o nosso repúdio a tudo isso e nos somamos a todas as ações que visam acabar com esse absurdo no Estado do Paraná”, afirmou.

A discussão ganhou força na Alep após deputados estaduais articularem uma ação popular para suspender imediatamente a cobrança integral nos pedágios eletrônicos do Paraná. A medida foi motivada por denúncias de que motoristas que percorrem apenas pequenos trechos estão pagando o mesmo valor cobrado de quem trafega por longas distâncias, o que contraria o princípio da proporcionalidade previsto na legislação federal que regulamenta o sistema free flow.

Segundo os parlamentares, o modelo em vigor penaliza especialmente moradores lindeiros, trabalhadores e pessoas que dependem das rodovias em deslocamentos diários entre municípios vizinhos. Além disso, a cobrança automática sem informação adequada aos usuários pode resultar em multas e outras penalidades, agravando ainda mais a situação.

Gilson de Souza reforçou que é favorável à modernização dos sistemas rodoviários, mas defendeu que qualquer avanço tecnológico precisa respeitar a legislação e garantir justiça tarifária à população. Para o deputado, o Paraná não pode aceitar que uma ferramenta criada para tornar a cobrança mais justa seja utilizada de forma distorcida, impondo custos abusivos aos cidadãos.